Tamara de Lempicka retratou muito as mulheres, revelando-as e dando importância à figura feminina com o olhar de quem se apaixonava por elas.
Madonna fez o mesmo em sua carreira, evidenciando a mulher e dando à elas as características que poderiam ser essenciais para sua libertação. E também se apaixonava por elas.
O videoclipe de Express yourself de 1989 ( da música que é considerada como um hino feminista), dirigido por David Fincher além de trazer toda a inspiração no clássico Metrópolis, filme de 1927, também traz um pouco das mulheres de Tamara nas roupas de cores fortes, nos cabelos meio anos 30/40, nos tecidos e movimentos suaves.
Mais sobre Metropolis: http://ique-imagemmadonna.blogspot.com/2009/07/metropolis.html
Interessante que Tamara também é conhecida como grande nome da Art Decó, período artístico que compreende o final dos anos 20 e a década de 30, o mesmo em que o filme Metropolis foi lançado e que Tamara pintou Nova York com a mesma aparência do filme. E Madonna, inteligente, uniu essas referências à mensagem libertadora de sua música, da forma como Metropolis e Tamara propagaram a liberdade.
Mais um ponto para a verdadeira rainha do pop.
No clipe glamuroso e marcante de 1990, váris obras de Tamara aparecem no cenário, em quadros e inspiram também algumas poses e roupas, uma aula de arte e fotografia...
Até o estilo dos dançarinos encontra referência...
Em 1986, Madonna aparece mais sensual ainda no vídeo de "Open your heart", vídeo que considero dos mais fantásticos dos anos 80, dirigida pela primeira vez pelo talentoso Jean Baptiste Mondino.
E como ela já se diferenciava pelas referências artísticas que se podia notar nos videos, e seus visuais que trocavam constantemente (idéia que inclusive está no videoclipe), encontramos obras de Tamara de Lempicka formando a entrada da casa de shows onde Madonna dança.
Tamara de Lempicka nasceu Maria Górska, na Polônia em 1898.
Filha de um advogado e uma socialite, estudou na Suíça, tendo seus pais separados, morou com sua tia e com 15 anos conheceu na Rússia o homem com decidiu se casar e adotou seu sobrenome, Lempicki. Quando ele foi preso durante a revolução russa, ela percorreu diversas prisões atrás dele e conseguindo libertá-lo, passou com ele por vários países.
Foi em Paris que ela começou a desenvolver seu estilo artístico, sendo que ela já trazia uma intensa bagagem cultural e conhecimento dos mestres da pintura italianos. Seu estilo levemente cubista e geométrico ganhou notoriedade e sua produção aumentou consideravelmente e por volta de 1923 já expunha seus trabalhos em galerias importantes. É tida atualmente como um dos grandes nomes do período da Art-decó. Pintou retratos de grandes personalidades e nobres europeus. Foi um grande nome da boemia parisiense (ou seja, viveu onde a produção cultural fervilhava!), conheceu Picasso e Jean Cocteau. Tinha uma imagem de beleza muito forte e esteve abertamente ligada á bissexualidade e esteve relacionada de forma clara á lésbicas e bissexuais dos círculos artísticos. Por isso, seu marido a deixou em 1927.Negligenciou o marido e também sua filha, Kizette, a quem quase não via, mas retratou em diversas obras.
Tamara de Lempicka foi uma das primeiras mulheres e artistas a adicionar o glamour á sua carreira e vida, explorando a beleza, trabalhando a imagem e o conceito sobre si própria.
Quem mais poderia se apaixonar pelo trabalho dela?
Madonna, que desde criança queria chamar a atenção, ser vista e ser reconhecida por algo. Não dá para precisar quando Madonna conheceu e se interessou pelo trabalho de Tamara, mas a primeira e mais óbvia aparição dessa referência e na abertura incrível e sensual da Who's that girl tour com a música Open your heart, quando o palco, a banda e os dançarinos estão sendo apresentados e obras de Tamara aparecem no telão que cobre Madonna.
Mas ainda assim, ainda vemos antes dessa tour a aparição do trabalho de Tamara em um videoclipe e outras imagens e gestos que lembram as obras dela...
Quando a confirmação de que Madonna colocaria mais uma vez like a prayer em uma tour chegou, causou um pouco de preocupação por ser mais uma música repetida. Mas nossa surpresa com a nova versão acabou com qualquer decepção, pois a força e a emoção que a música ganhou com a inclusão do instrumental de Feels like home fez esse clássico se tornar mais uma vez um hino para as massas que foram á Sticky&Sweet Tour.
E a imagem capturada por Guy Oseary que virou a capa do livro de fotos da tour registra que 20 anos depois desse marco da história da música, ainda foi possível transformá-lo e Madonna ajoelhou-se para rezar, depois de tantas frases de moral religiosa, símbolos, uma dança enlouquecida com seus fiéis futuristas e um novo exorcismo na passarela e assim nessa posição foi consumida pelo fogo da purificação.
Em 2009, Madonna voltou para algo que nunca tinha feito em sua carreira: continuar com a mesma turnê, mesmo após o fim anunciado (e que nós presenciamos) e após a contabilidade feita, dando o título de maior turnê em faturamento e público de todas as suas já realizadas. Claro que devido ao sucesso e talvez até um contrato que já previa uma continuação, afinal é para isso que a Live Nation entrou na estória, Madonna rendeu-se e mesmo querendo ser sempre criativa e jamais se repetir, voltou para mais três meses de Sticky&Sweet e fazendo a caridade de passar por mais países que ainda não tinham tido a benção de estar no seu roteiro, fazendo desta a sua turnê mais voltada a agradar seu público, que é mundial.
Mas claro que algum toque de novidade ela tinha que dar. Segundo Jamie King, diretor de palco e "criador" das performances dos shows, a segunda parte da turnê ficou mais próxima do idealizado inicialmente. A abertura permaneceu a mesma, mas com um novo figurino, mais justo e ainda sóbrio, mas bonito e com um cabelo repartido á direita e bem mais volumoso.
A maior e mais interessante diferença talvez tenha sido a do segundo bloco. Heartbeat foi substituída por um clássico do passado que Madonna já não queria mais cantar, Holiday. Devido a proximidade do lançamento de Celebration, a música teve samples do instrumental da nova faixa, mais alguns de Everybody e uma lina interrupção para um dançarino fazer uma performance cover de Michael Jackson e a rainha, agora de sainha e não shortinho rende homenagem ao único e verdadeiro rei.
Em seguida, troca Borderline por Dress you up em versão quase punk, quase anos sessenta.
foto: Equipe site queenmadonna.com
No fim do show, Frozen entra após Like a prayer numa versão forte, coreografia com estilo um tanto hip-hop e samples de Open your heart que combinarem muito com essa nova versão.
E mais uma vez ela lotou arenas e praças, deixou seus fãs de todas as partes felizes, mas só pecou em deixar esses registros de fora do DVD oficial ...
Deixou-nos com uma imensa expectativa por um próximo espetáculo como esse, mas desde então tornou-se amiguinha dos brasileiros e de vez em quando vem nos visitar!
Mas o registro da turnê que nós brasileiros pudemos ir está nas lojas e é um importante momento na história madônnica.
Á beira de uma separação, com 50 anos, com um disco demorando para emplacar e críticas á sua forma física, Madonna veio mostrar que ainda está aí, dá recados explícitos que de que ela NÃO VAI PARAR e investiu muito na turnê que salvaria seu último trabalho com a Warner, já que o álbum não rendeu o esperado.
E pra isso, pra imprimir a imagem de ainda-poderosa contou com grandes nomes do design de moda. Trabalhando com Madonna desde 1997, Ariane Phillips mais uma vez acertou na escolha.
Para o primeiro bloco da tour, onde Madonna aparece "levemente" dominadora e sensual com couro e preto, Ricardo Tisci da Givenchy é o responsável.
O segundo bloco, que deixa mais clara a imagem jovem e enérgica, Jeremy Scott criou para ela e dançarinos roupas coloridas, marca dos anos 80, com inspirações dos grafismos de muros, dos jovens e de Keith Haring.
Para a emoção do segundo bloco, uma capa preta Givenchy novamente, pesada e dramática...
...mas que tem por baixo um conjunto colorido, sensual e leve, cheio de adereços cor-de-rosa com cruzes, também de Tisci para a Givenchy.
E por último, o mais estranho e comentado visual, Givenchy novemente, onde Madonna talvez seja uma guerreira do futuro ou uma amazona viajante do tempo, já que o tic-tac do relógio permeia todos os blocos do show.
Com essa ousadia de experimentações em cima de temas, Madonna fez a sua tour mais lucrativa, a maior de todas de 2008 e 2009 e ainda está dominando quando o assunto é show, lançamentos e Madonna e vendas, coisa que ela faz muito bem, mesmo que não com a mesma força do passado.
Essa foi a primeira impressão que tive na estréia da S&S Tour. De alegria, bem-estar, força e empolgação.
Logo nos primeiros vídeos tremidos e curtos e nas primeiras fotos da impresna, como essa abaixo, vi que Madonna dançava muito e sorria muito nesse novo show e dava uma atenção ao público como nunca.
A mulher mais famosa do munda estava na mira de todos novamente por quê estava chegando aos 50 anos, coisa que eu não conseguia imaginar como seria quando eu era novinho e via Madonna escandalizando com o lançamento do Sex ou sua vinda em 1993.
Mas ela chegou aos 50 e estreava sua 8º turnê com essa imagem tão joveme e cheia de vitalidade.
O show é cheio dessa mensagem...ninguém vai me parar agora, o tempo está passando, tic-tac, tic-tac, tic-tac.
O video de Vogue mostra isso. Tanta beleza e belos rostos, mas o relógio está lá, o tempo não para, ele continua sempre, nós é que paramos. Ela não quer parar. Bateu seu próprio recorde de bilheteria e arrecadação, visitou países que não a recebiam há décadas e ainda voltou para mais três meses de shows em 2009, com novas performances, clipe e namorado.
Em tempos de Lady Gaga, Madonna continua sendo vista como a rainha original e tão poderosa como sempre.
Pulou corda e deixou bem claro que ninguém pode fazer igual. Ela está ainda na infância dessa nova pessoa que ela é, ainda brinca como uma menina e vai crescer de novo diante de nossos olhos para amis ainda acompanharmos como uma pessoa se transforma e vive várias vidas nela mesma, parece várias pessoas nela mesma e faz as pessoas se juntarem sem pensar no ontem, olhar para frente .
"If I got a night, at least I can say I did what I wanted to do, so tell me how about you."
Em 1990, no auge da música Vogue, Madonna fez mais uma performance no VMA's, da MTV, no tempo que era bom e interessante assistí-lo, mas superou todas expectativas e a si mesma, coisa que ela faz até hoje (!).
Em uma apresentação extremamente teatral, além daquilo que se fazia na época, quase tão grande e surpreendente quanto Pink Floyd, mas num palco de teatro, Madonna encarnou um personagem e tornou realidade uma época passada pra apresentar um hit do presente.
Sim foi playback, era uma simulação de que ela estava cantando naquele palácio com aqueles membros, ou não, de uma corte. De uma rainha que era ela. Madonna foi buscar inspiração numa versão sua do passado. Sim! Madonna não foi a única a escandalizar os costumes, né?
Marie Antoinnete foi a famosa rainha da França que por agir fora dos costumes de seu tempo e de ter menos limites e AMAR aparecer, acabou decapitada.
Então, como Madonna é a rainha despudorada do nosso tempo, foi vestida como Maria Antonieta que cantou Vogue, com poses diferentes na coreografia, adaptada, claro, para toda aquela roupa, e a adição dos maravilhosos movimentos com leques, que até levantam gritos da platéia estupefata pela grandiosidade do momento, que trouxe até algumas críticas mais negativas, que diziam que Madonna estava querendo ser muito maior que os outros artistas da noite e que era superficial tanta produção para eclipsar a performance vocal, que nem houve.
Mas de quem é que todo mundo lembra hoje?
E essa não foi a única vez em que esse happening foi visto.
No dia seguinte ao VMA's, em 07 de setembro, no evento COMMITMENT TO LIFE IV, realizado pela APLA (AIDS PROJECT LOS ANGELES) , em favor das pessoas que sofriam com o HIV, Madonna ganhou o prêmio COMMITMENT TO LIFE,pela maneira como "advogava" em favor dos homosexuais e da sexualidade livre de preconceitos e respeitosa pela vida.
E encerrou a noite com essa performance. Para uma platéia de muita sorte. Não há registros conhecidos dessa performance, mas claro que algum esperto deu um jeito:
Mais uma vez Madonna mostrou que sabia fazer pop. E com conteúdo. Usou a história, uma personalidade, um estilo fora do nosso tempo, para fazer arte. E ainda tivemos a sorte de ter essa performance adicionada á primeira coletânea de vídeos dela, a The Immacullate Collection.
Já em 2004, Madonna mais uma vez se liga á essa figura do passado para mais uma vez nos brindar com Vogue.
Em 1990 Madonna saiu em turnê pela terceira vez e realizou um espetáculo histórico, tido até hoje como seu maior evento, a Blond Ambition Tour.
Era época do auge de Vogue, e de seu sucesso , o mundo tremia a cada passo de Madonna e a performance da música foi crucial para fincar o alicerce do sucesso.
Vestida com seus bailarinos em trajes colados, que pareciam de dança ou academia, que revelavam as formas do corpo, davam um tom de atletismo e boa forma e eram práticos, Madonna executou ao máximo os movimentos marcados, flexíveis e glamourosos da dança, em um palco “decorado” com imagens de Tamara de Lempicka, escadarias e dançou livremente, fez muita pose mesmo, e o mundo todo imitou (tentou, né) as mãos e os braços que evocavam a adoração da beleza da good face.
1993 - The Girlie Show
Na The Girlie Show Tour, após duas músicas de erotismo e provocação Madonna vem com uma versão totalmente nova de Vogue, toda baseada em sons orientais, toques indianos e uma coreografia inspirada nas imagens das divindades hindus, mais precisamente nas mãos e nos múltiplos braços.
Com um adorno na cabeça e um top e um shorts, Madonna estava cercada de bailarinos que a louvavam e erguiam como uma deusa.
2004 - Re-invention Tour
Vários anos após o sucesso estrondoso de Vogue, em sua quinta turnê, a Re-invention Tour, Madonna fez uma releitura da apresentação marcante de 1990, com ares de realeza, como uma dança em um palácio.
Começando com poses de yoga, que lhe renderam páginas inteiras de jornais surpresos com aquela pose em uma mulher de 46 anos, a coreografia seguia com roupas leves baseadas em épocas de reinados e cortes, dançarinos que a reverenciavam, movimentos diferentes para homens e para mulheres. Com vídeos exóticos de Steven Klein ao fundo Madonna até andou de cabeça para baixo em pose de ponte, vestida em corpete dourado de Christian Lacroix.
2008/2009 - Sticky & Sweet Tour
Em seu espetáculo mais recente, a Sticky & Sweet Tour, de 2008 e 2009, Madonna mais uma vez trouxe novidades á música e criou uma Vogue totalmente nova, com o instrumental de 4 Minutes, sucesso mais recente até então.
Com uma roupa mínima e seus dançarinos com menos ainda, com roupas muito semelhantes á performance que Kylie Minogue fez da música em 2007 de leve inspiração fetichista, Madonna dessa vez fez alguns movimentos de uma dança moderna chamada Techtonik, moda entre joves fãs da música eletrônica na Europa.
O vídeo que acompanha a música trazia a beleza do rosto acompanhada do relógio que marca a passagem do tempo até para essa beleza.
Solta e ainda jovem, Madonna cantou ao vivo, e continua carregando a imagem da pose e do glamour, rumo a mais uma tour mundial...
De um apaixonado por Vogue, que a tem como sua música preferida.